sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Aquele Transe


Acordei com o toque do celular.
Um sms. Surpresa! Era dele.
Logo fui invadido pela ansiedade, 
Acompanhada do medo, dor e nostalgia.
Provavelmente já sabia o conteúdo da mensagem.
Peguei o celular com as mãos trêmulas
E petrificado fiquei olhando a tela:
VOCÊ TEM 1 MENSAGEM NOVA.
Esperando a coragem me acordar 
Daquele "transe" onde os meses ao seu lado
Passavam como um filme, lento, intenso.
Bons, maus e inesquecíveis momentos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

...

Abra seu Coração e espere a Morte.

Dor

Somos inocentes em acreditar que as pessoas podem mudar, crescer e se tornarem dignas ao ponto de carregar nossos corações.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Reaparecer assim?!

É teve um motivo pra você ter reaparecido na minha vida. Partir meu coração. Afinal, não havia conseguido da última vez.

domingo, 14 de agosto de 2011

Confuso?



Tento entender toda a situação, mas é tudo tão nublado,escuro. Não sei o que pensa, não sei ao certo o que sente, me deixa confuso, sem noção. Horas tenho certeza dos sentimentos, mas logo depois tudo se espalha como fumaça no ambiente.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Definitivamente no Passado


Passei boa parte desses últimos meses com apenas um desejo.O desejo que você, finalmente, percebesse o quão errado foi nos separarmos. Que você percebesse que te faço falta. Que você percebesse que o que vivemos foi real e intenso. Que você percebesse que ainda me ama, não como antes, mas muito mais que isso. Que você percebesse que eu seria a pessoa com que você desejaria passar o resto dos tempos. Foram vários os dias que sonhei com você, que acordava e sentia uma saudade imensa do seu perfume, que ficava olhando pro celular na esperança que ele tocasse e fosse você no outro lado da linha ou que você viesse na minha casa…
Ontem, você ligou e era de esperar que minha felicidade fosse imensa, afinal “meu desejo” estava se realizando, mas não foi o que aconteceu.Talvez se fossem em outros tempos…
O que importa é que você não reapareceu quando eu precisava e agora é tarde pra isso. Estou muito feliz no momento e descobri que posso experimentar esse sentimento novamente sem a sua ajuda. Desculpa mas não sou o mesmo de antes.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

É tempo de viver sem medo!

O silêncio se vai,não está perto de mim, a dor passou e minha alma está livre desse temor.
Eu percebi que se eu estou aqui é  porque eu assim decidi,
Conhecer e reconhecer,que nada é perfeito e o defeito é bonito também.
Liberdade, Liberdade.Não vou abandonar meus sonhos.É tempo de viver sem medo.
Deixe para trás o disfarce,queime a sua mascara,teu destino é viver e sentir deixando de fingir.
Posso amar, não há escuridão.Há novos horizontes para procurar,hoje a minha fé me faz acreditar,que tenho mil razões para tocar o céu e gritar.
Liberdade, eu vivo na liberdade.Não tenho que esconder minha personalidade.Eu não vou parar,procuro a liberdade.
Viver e sonhar com a liberdade,você decide quem amar.
Hoje, sua voz não vai calar,grite forte, quero escutar:
Liberdade, liberdade, liberdade.


-Trechos de Libertad,Christian Chavez.

domingo, 5 de junho de 2011





Existem momentos em sua vida que tudo parece perder o  sentido.As pessoas não são mais as mesmas, os lugares não são mais os mesmos, você não é mais o mesmo...o que fazer em uma hora dessas?Sentar e esperar que tudo se conserte?

quinta-feira, 26 de maio de 2011

MORTA e SEPULTADA


Cansei de esperar por uma coisa que não vai acontecer!Foram meses, semanas, dias, horas e segundos pensando e “desejando” a mesma coisa:Te ter ao meu lado de novo.Mas, hoje percebi que isso é um sonho muito distante e impossível de se realizar.Percebi tbm que tudo que vivemos passou e aceito isso numa boa.
E é por isso que te desejo eternas felicidades, pra você e essa pessoa que está com você.Seja feliz e dessa vez faça as coisas de uma forma diferente, não vai querer que a história se repita né?
Nossa história está, definitivamente, MORTA e SEPULTADA.
E eu?Sinto que dessa vez, depois de meses, estou, finalmente, livre do seu fantasma que me atormentava toda vez que ouvia as nossas músicas, toda vez que seu cheiro me envolvia, toda vez que meus pensamentos me levavam ao passado, toda vez que fechava meus olhos e sua imagem refletia.
Morri centenas de vezes, e diferente da Amy, dessa vez não vou voltar ao luto.
Aqueles dois
(História de aparente mediocridade e repressão)
Caio Fernando Abreu

Para Rofran Fernandes:"I announce adhesiveness,
I say it shall be limitless,
unloosen il.
I say you shall yet find the
friend youwere looking for."
(Walt Whitman: So Long!)

A verdade é que não havia mais ninguém em volta. Meses depois, não no começo, um deles diria que a repartição era como "um deserto de almas". O outro concordou sorrindo, orgulhoso, sabendo-se excluído. E longamente, entre cervejas, trocaram então ácidos comentários sobre as mulheres mal-amadas e vorazes, os papos de futebol, amigo secreto, lista de presente, bookmaker, bicho, endereço de cartomante, clips no relógio de ponto, vezenquando salgadinhos no fim do expediente, champanha nacional em copo de plástico. Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou.

Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las. Não que fossem muito jovens, incultos demais ou mesmo um pouco burros. Raul tinha um ano mais que trinta; Saul, um menos. Mas as diferenças entre eles não se limitavam a esse tempo, a essas letras. Raul vinha de um casamento fracassado, três anos e nenhum filho. Saul, de um noivado tão interminável que terminara um dia, e um curso frustrado de Arquitetura. Talvez por isso, desenhava. Só rostos, com enormes olhos sem íris nem pupilas. Raul ouvia música e, às vezes, de porre, pegava o violão e cantava, principalmente velhos boleros em espanhol. E cinema, os dois gostavam.

Passaram no mesmo concurso para a mesma firma, mas não se encontraram durante os testes. Foram apresentados no primeiro dia de trabalho de cada um. Disseram prazer, Raul, prazer, Saul, depois como é mesmo o seu nome? sorrindo divertidos da coincidência. Mas discretos, porque eram novos na firma e a gente, afinal, nunca sabe onde está pisando. Tentaram afastar-se quase imediatamente, deliberando limitarem-se a um cotidiano oi, tudo bem ou, no máximo, às sextas, um cordial bom fim de semana, então. Mas desde o princípio alguma coisa — fados, astros, sinas, quem saberá? conspirava contra (ou a favor, por que não?) aqueles dois.

Suas mesas ficavam lado a lado. Nove horas diárias, com intervalo de uma para o almoço. E perdidos no meio daquilo que Raul (ou teria sido Saul?) chamaria, meses depois, exatamente de "um deserto de almas", para não sentirem tanto frio, tanta sede, ou simplesmente por serem humanos, sem querer justificá-los — ou, ao contrário, justificando-os plena e profundamente, enfim: que mais restava àqueles dois senão, pouco a pouco, se aproximarem, se conhecerem, se misturarem? Pois foi o que aconteceu. Tão lentamente que mal perceberam.

II

Eram dois moços sozinhos. Raul tinha vindo do norte, Saul tinha vindo do sul. Naquela cidade, todos vinham do norte, do sul, do centro, do leste — e com isso quero dizer que esse detalhe não os tornaria especialmente diferentes. Mas no deserto em volta, todos os outros tinham referenciais, uma mulher, um tio, uma mãe, um amante. Eles não tinham ninguém naquela cidade — de certa forma, também em nenhuma outra —, a não ser a si próprios. Diria também que não tinham nada, mas não seria inteiramente verdadeiro.

Além do violão, Raul tinha um telefone alugado, um toca-discos com rádio e um sabiá na gaiola, chamado Carlos Gardel. Saul, uma televisão colorida com imagem fantasma, cadernos de desenho, vidros de tinta nanquim e um livro com reproduções de Van Gogh. Na parede do quarto de pensão, uma outra reprodução de Van Gogh: aquele quarto com a cadeira de palhinha parecendo torta, a cama estreita, as tábuas do assoalho, colocado na parede em frente à cama. Deitado, Saul tinha às vezes a impressão de que o quadro era um espelho refletindo, quase fotograficamente, o próprio quarto, ausente apenas ele mesmo. Quase sempre, era nessas ocasiões que desenhava.

Eram dois moços bonitos também, todos achavam. As mulheres da repartição, casadas, solteiras, ficaram nervosas quando eles surgiram, tão altos e altivos, comentou, olhos arregalados, uma das secretárias. Ao contrário dos outros homens, alguns até mais jovens, nenhum tinha barriga ou aquela postura desalentada de quem carimba ou datilografa papéis oito horas por dia.

Moreno de barba forte azulando o rosto, Raul era um pouco mais definido, com sua voz de baixo profundo, tão adequada aos boleros amargos que gostava de cantar. Tinham a mesma altura, o mesmo porte, mas Saul parecia um pouco menor, mais frágil, talvez pelos cabelos claros, cheios de caracóis miúdos, olhos assustadiços, azul desmaiado. Eram bonitos juntos, diziam as moças. Um doce de olhar. Sem terem exatamente consciência disso, quando juntos os dois aprumavam ainda mais o porte e, por assim dizer, quase cintilavam, o bonito de dentro de um estimulando o bonito de fora do outro, e vice-versa. Como se houvesse entre aqueles dois, uma estranha e secreta harmonia.

III

Cruzavam-se, silenciosos mas cordiais, junto à garrafa térmica do cafezinho, comentando o tempo ou a chatice do trabalho, depois voltavam às suas mesas. Muito de vez em quando, um pedia um cigarro ao outro, e quase sempre trocavam frases como tanta vontade de parar, mas nunca tentei, ou já tentei tanto, agora desisti. Durou tempo, aquilo. E teria durado muito mais, porque serem assim fechados, quase remotos, era um jeito que traziam de longe. Do norte, do sul.

Até um dia em que Saul chegou atrasado e, respondendo a um vago que que houve, contou que tinha ficado até tarde assistindo a um velho filme na televisão. Por educação, ou cumprindo um ritual, ou apenas para que o outro não se sentisse mal chegando quase às onze, apressado, barba por fazer, Raul deteve os dedos sobre o teclado da máquina e perguntoü: que filme? Infâmia, Saul contou baixo, Audrey Hepburn, Shirley MacLayne, um filme muito antigo, ninguém conhece. Raul olhou-o devagar, e mais atento, como ninguém conhece? eu conheço e gosto muito. Abalado, convidou Saul para um café e, no que restava daquela manhã muito fria de junho, o prédio feio mais que nunca parecendo uma prisão ou uma clínica psiquiátrica, falaram sem parar sobre o filme.

Outros filmes viriam, nos dias seguintes, e tão naturalmente como se de alguma forma fosse inevitável, também vieram histórias pessoais, passados, alguns sonhos, pequenas esperança e sobretudo queixas. Daquela firma, daquela vida, daquele nó, confessaram uma tarde cinza de sexta, apertado no fundo do peito. Durante aquele fim de semana obscuramente desejaram, pela primeira vez, um em sua quitinete, outro na pensão, que o sábado e o domingo caminhassem depressa para dobrar a curva da meia-noite e novamente desaguar na manhã de segunda-feira quando, outra vez, se encontrariam para: um café. Assim foi, e contaram um que tinha bebido além da conta, outro que dormira quase o tempo todo. De muitas coisas falaram aqueles dois nessa manhã, menos da falta que sequer sabiam claramente ter sentido.

Atentas, as moças em volta providenciavam esticadas aos bares depois do expediente, gafieiras, discotecas, festinhas na casa de uma, na casa de outra. A princípio esquivos, acabaram cedendo, mas quase sempre enfiavam-se pelos cantos e sacadas para contar suas histórias intermináveis. Uma noite, Raul pegou o violão e cantou Tú Me Acostumbraste. Nessa mesma festa, Saul bebeu demais e vomitou no banheiro. No caminho até os táxis separados, Raul falou pela primeira vez no casamento desfeito. Passo incerto, Saul contou do noivado antigo. E concordaram, bêbados, que estavam ambos cansados de todas as mulheres do mundo, suas tramas complicadas, suas exigências mesquinhas. Que gostavam de estar assim, agora, sós, donos de suas próprias vidas. Embora, isso não disseram, não soubessem o que fazer com elas.

Dia seguinte, de ressaca, Saul não foi trabalhar nem telefonou. Inquieto, Raul vagou o dia inteiro pelos corredores subitamente desertos, gelados, cantando baixinho Tú Me Acostumbraste, entre inúmeros cafés e meio maço de cigarros a mais que o habitual.

IV

Os fins de semana tornaram-se tão longos que um dia, no meio de um papo qualquer, Raul deu a Saul o número de seu telefone, alguma coisa que você precisar, se ficar doente, a gente nunca sabe. Domingo depois do almoço, Saul telefonou só para saber o que o outro estava fazendo, e visitou-o, e jantaram juntos a comidinha mineira que a empregada deixara pronta sábado. Foi dessa vez que, ácidos e unidos, falaram no tal deserto, nas tais almas. Há quase seis meses se conheciam. Saul deu-se bem com Carlos Gardel, que ensaiou um canto tímido ao cair da noite. Mas quem cantou foi Raul: Perfídia,La Barca e, a pedido de Saul, outra vez, duas vezes, Tú Me Acostumbraste. Saul gostava principalmente daquele pedacinho assim sutil llegaste a mí como una tentación llenando de inquietud mi corazón. Jogaram algumas partidas de buraco e, por volta das nove, Saul se foi.

Na segunda, não trocaram uma palavra sobre o dia anterior. Mas falaram mais que nunca, e muitas vezes foram ao café. As moças em volta espiavam, às vezes cochichando sem que eles percebessem. Nessa semana, pela primeira vez almoçaram juntos na pensão de Saul, que quis subir ao quarto para mostrar os desenhos, visitas proibidas à noite, mas faltavam cinco para as duas e o relógio de ponto era implacável. Saíam e voltavam juntos, desde então, geralmente muito alegres. Pouco tempo depois, com pretexto de assistir a Vagas Estrelas da Ursa na televisão de Saul, Raul entrou escondido na pensão, uma garrafa de conhaque no bolso interno do paletó. Sentados no chão, costas apoiadas na cama estreita, quase não prestaram atenção no filme. Não paravam de falar. Cantarolando Io Che Non Vivo, Raul viu os desenhos, olhando longamente a reprodução de Van Gogh, depois perguntou como Saul conseguia viver naquele quartinho tão pequeno. Parecia sinceramente preocupado. Não é triste? perguntou. Saul sorriu forte: a gente acostuma.

Aos domingos, agora, Saul sempre telefonava. E vinha. Almoçavam ou jantavam, bebiam, fumavam, falavam o tempo todo. Enquanto Raul cantava — vezenquando El Día Que Me Quieras, vezenquando Noche de Ronda —, Saul fazia carinhos lentos na cabecinha de Carlos Gardel, pousado no seu dedo indicador. Às vezes olhavam-se. E sempre sorriam. Uma noite, porque chovia, Saul acabou dormindo no sofá. Dia seguinte, chegaram juntos à repartição, cabelos molhados do chuveiro. As moças não falaram com eles. Os funcionários barrigudos e desalentados trocaram alguns olhares que os dois não saberiam compreender, se percebessem. Mas nada perceberam, nem os olhares nem duas ou três piadas. Quando faltavam dez minutos para as seis, saíram juntos, altos e altivos, para assistir ao último filme de Jane Fonda.

V

Quando começava a primavera, Saul fez aniversário. Porque achava seu amigo muito solitário, ou por outra razão assim, Raul deu a ele a gaiola com Carlos Gardel. No começo do verão, foi a vez de Raul fazer aniversário. E porque estava sem dinheiro, porque seu amigo não tinha nada nas paredes da quitinete, Saul deu a ele a reprodução de Van Gogh. Mas entre esses dois aniversários, aconteceu alguma coisa.

No norte, quando começava dezembro, a mãe de Raul morreu e ele precisou passar uma semana fora. Desorientado, Saul vagava pelos corredores da firma esperando um telefonema que não vinha, tentando em vão concentrar-se nos despachos, processos, protocolos. Á noite, em seu quarto, ligava a televisão gastando tempo em novelas vadias ou desenhando olhos cada vez mais enormes, enquanto acariciava Carlos Gardel. Bebeu bastante, nessa semana. E teve um sonho: caminhava entre as pessoas da repartição, todas de preto, acusadoras. À exceção de Raul, todo de branco, abrindo os braços para ele. Abraçados fortemente, e tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro. Acordou pensando mas ele é que devia estar de luto.

Raul voltou sem luto. Numa sexta de tardezinha, telefonou para a repartição pedindo a Saul que fosse vê-lo. A voz de baixo profundo parecia ainda mais baixa, mais profunda. Saul foi. Raul tinha deixado a barba crescer. Estranhamente, ao invés de parecer mais velho ou mais duro, tinha um rosto quase de menino. Beberam muito nessa noite. Raul falou longamente da mãe — eu podia ter sido mais legal com ela, disse, e não cantou. Quando Saul estava indo embora, começou a chorar. Sem saber ao certo o que fazia, Saul estendeu a mão e, quando percebeu, seus dedos tinham tocado a barba crescida de Raul. Sem tempo para compreenderem, abraçaram-se fortemente. E tão próximos que um podia sentir o cheiro do outro: o de Raul, flor murcha, gaveta fechada; o de Saul, colônia de barba, talco. Durou muito tempo. A mão de Saul tocava a barba de Raul, que passava os dedos pelos caracóis miúdos do cabelo do outro. Não diziam nada. No silêncio era possível ouvir uma torneira pingando longe. Tanto tempo durou que, quando Saul levou a mão ao cinzeiro, o cigarro era apenas uma longa cinza que ele esmagou sem compreender.

Afastaram-se, então. Raul disse qualquer coisa como eu não tenho mais ninguém no mundo, e Saul outra coisa qualquer como você tem a mim agora, e para sempre. Usavam palavras grandes — ninguém, mundo, sempre — e apertavam-se as duas mãos ao mesmo tempo, olhando-se nos olhos injetados de fumo e álcool. Embora fosse sexta e não precisassem ir à repartição na manhã seguinte, Saul despediu-se. Caminhou durante horas pelas ruas desertas, cheias apenas de gatos e putas. Em casa; acariciou Carlos Gardel até que os dois dormissem. Mas um pouco antes, sem saber por quê, começou a chorar sentindo-se só e pobre e feio e infeliz e confuso e abandonado e bêbado e triste, triste, triste. Pensou em ligar para Raul, mas não tinha fichas e era muito tarde.

Depois, chegou o Natal, o Ano-Novo que passaram juntos, recusando convites dos colegas de repartição. Raul deu a Saul uma reprodução do Nascimento de Vênus, que ele colocou na parede exatamente onde estivera o quarto de Van Gogh. Saul deu a Raul um disco chamado Os Grandes Sucessos de Dalva de Oliveira. O que mais ouviram foi Nossas Vidas, prestando atenção no pedacinho que dizia até nossos beijos parecem beijos de quem nunca amou.

Foi na noite de trinta e um, aberta a champanhe na quitinete de Raul, que Saul ergueu a taça e brindou à nossa amizade que nunca nunca vai terminar. Beberam até quase cair. Na hora de deitar, trocando a roupa no banheiro, muito bêbado, Saul falou que ia dormir nu. Raul olhou para ele e disse você tem um corpo bonito. Você também, disse Saul, e baixou os olhos. Deitaram ambos nus, um na cama atrás do guarda-roupa, outro no sofá. Quase a noite inteira, um conseguia ver a brasa acesa do cigarro do outro, furando o escuro feito um demônio de olhos incendiados. Pela manhã, Saul foi embora sem se despedir para que Raul não percebesse suas fundas olheiras.

Quando janeiro começou, quase na época de tirarem férias — e tinham planejado, juntos, quem sabe Parati, Ouro Preto, Porto Seguro — ficaram surpresos naquela manhã em que o chefe de seção os chamou, perto do meio-dia. Fazia muito calor. Suarento, o chefe foi direto ao assunto. Tinha recebido algumas cartas anônimas. Recusou-se a mostrá-las. Pálidos, ouviram expressões como "relação anormal e ostensiva", "desavergonhada aberração", "comportamento doentio", "psicologia deformada", sempre assinadas por Um Atento Guardião da Moral. Saul baixou os olhos desmaiados, mas Raul colocou-se em pé. Parecia muito alto quando, com uma das mãos apoiadas no ombro do amigo e a outra erguendo-se atrevida no ar, conseguiu ainda dizer a palavra nunca, antes que o chefe, entre coisas como a-reputação-de-nossa-firma, declarasse frio: os senhores estão despedidos.

Esvaziaram lentamente cada um a sua gaveta, a sala deserta na hora do almoço, sem se olharem nos olhos. O sol de verão escaldava o tampo de metal das mesas. Raul guardou no grande envelope pardo um par de olhos enormes, sem íris nem pupilas, presente de Saul, que guardou no seu grande envelope pardo, com algumas manchas de café, a letra de Tú Me Acostumbraste, escrita à mão por Raul numa tarde qualquer de agosto. Desceram juntos pelo elevador, em silêncio.

Mas quando saíram pela porta daquele prédio grande e antigo, parecido com uma clínica ou uma penitenciária, vistos de cima pelos colegas todos postos na janela, a camisa branca de um, a azul do outro, estavam ainda mais altos e mais altivos. Demoraram alguns minutos na frente do edifício. Depois apanharam o mesmo táxi, Raul abrindo a porta para que Saul entrasse. Ai-ai, alguém gritou da janela. Mas eles não ouviram. O táxi já tinha dobrado a esquina.

Pelas tardes poeirentas daquele resto de janeiro, quando o sol parecia a gema de um enorme ovo frito no azul sem nuvens no céu, ninguém mais conseguiu trabalhar em paz na repartição. Quase todos ali dentro tinham a nítida sensação de que seriam infelizes para sempre. E foram.

sábado, 19 de março de 2011

Por mais que eu tente, por mais que eu implore, por mais que eu parta minha cabeça e arranque você de lá, sempre vai estar presente. Isso não é fácil de confessar, foram dias, semanas, meses forçando não pensar em como você me olhava, como você me tocava, como você respirava, como você me beijava, como você existia…

quinta-feira, 10 de março de 2011

…não importa se você é gay, hetero ou bi, lésbica ou se é transexual…não importa se os obstáculos da vida te deixaram afastado, assediado ou importunado. Alegre-se e ame-se hoje. Pois, baby, você nasceu assim.
-Born This Way, Lady Gaga.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Ruby Bridges- 1ª aluna negra a ir à escola.


Na Primavera de 1960, Ruby Bridges era uma das várias crianças negras em Nova Orleans, que se preparavam para fazer um teste onde seria determinado quais crianças seriam as primeiras a frequentar as escolas integradas. Seis alunos foram escolhidos, no entanto, dois estudantes decidiram permanecer na sua antiga escola e três foram transferidos para McDonough. Ruby foi a única atribuída a William Frantz. Seu pai era inicialmente relutante, mas sua mãe sentiu fortemente que a mudança era necessária não apenas para dar a sua filha uma educação melhor, mas para dar este passo em frente ... para todas as crianças Africano-Americano.
Em 14 de novembro de 1960, Ruby Bridges, foi levada à escola em Nova Orleans por uma escolta de policiais federais, pois havia uma grande multidão de pessoas fora da escola. Eles estavam jogando coisas e gritando.O ex-vice-marechal dos Estados Unidos Charles Burks recordou mais tarde: "Ela mostrou muita coragem. Ela nunca chorou. Ela só marchava junto como um soldadinho, e estamos muito orgulhosos dela."
Os pais brancos entraram e trouxeram os seus próprios filhos para fora, todos os professores se recusaram a ensinar a uma criança negra que estava matriculada. Eles contrataram Barbara Henry, de BostonMassachusetts, para ensinar Ruby, e para mais de um ano a Sra. Henry ensinou-la sozinha, como se ela estivesse dando uma aula inteira.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

As circunstâncias.

Hoje levantei da cama, sonhando que você estava, dormindo dentro. Hoje desenhei na janela embaçada um rosto sorrindo. Eu lhe daria tudo o que tenho para tê-lo aqui no meu travesseiro. Por sentir teu fôlego, mas você me escapa como a água entre os dedos, você me escapa como grito ao vento.

=
Quiero, Anahí

sábado, 5 de fevereiro de 2011









Me sinto só, mas sei que não estou, pois levo vocês no pensamento…

Guarde o que foi bom, jogue fora o que restou!

  Sabe quando você deseja,do fundo da sua alma, que algumas coisas aconteçam?Coisas que você sempre presenciou na vida das outras pessoas e achou que nunca iriam fazer parte da sua vida, e de repente, tudo, literalmente, cai em seus braços?
  Há 20 anos desejava que a minha vida mudasse, isso mesmo, mudasse.Já estava cansado daquela vida rotineira, onde tudo se repetia, os dias que pareciam ser os mesmos, as pessoas que pareciam ser as mesmas, os assuntos que também eram os mesmos, as brigas, os caminhos, as oportunidades...tudo era igual.
  Cansado das mesmas coisas, resolvi dar uma oportunidade a vida e aceitar o seu pedido.Deixei de lado o meu mundinho particular onde me resguardava e que tanto apreciava e resolvi me aventurar(literalmente)no mundo desconhecido que por algum motivo tinha medo de explorar.
  O ano de 2010 foi marcado pelo meu crescimento, tanto interior quanto exterior.O garoto tímido e sem graça de antes sumiu e deu lugar a um extremamente curioso, ousado e determinado.Finalmente aceitei o pedido da vida e disse SIM a tudo que ela tinha a oferecer.
E pra começar essa nova fase com grande estilo o que não podia faltar era um dos principais ingredientes da vida:o amor.
Sim, consegui me apaixonar em 2010, isso não é incrível!Logo eu  que achava que era um produto com defeito.Vivi alguns relacionamentos passageiros, não tão menos importantes até descobrir o que é estar apaixonado(tinha aguardado tanto por esse momento!).Me decepcionei.Afinal, se apaixonar é uma verdadeira droga!Como as pessoas dizem por aí.
Outro fato importante que me aconteceu nesse ano foi a minha descoberta, ou melhor a descoberta dos outros.Esconder o jogo não estava sendo tão engraçado como antes. Então, contei o meu mais íntimo e oculto segredo pra minha família.Me surpreendi com a reação deles, aceitaram de boa.Tá, confesso que eles não ficaram pulando de alegria com a minha revelação, mas também não me mataram como eu achava que aconteceria.Minha vida agora anda tão menos pesada, foi um peso a menos,me sinto leve e isso é uma maravilha!Quase esqueço de contar que o mercado de trabalho resolveu me dar uma chance,abriu as portas e me deixou entrar pela porta da frente.Fiquei surpreso com isso!Não é todo mundo que consegue um empreguinho(acho que trabalho se adequa mais, rs) hoje em dia.
  Enfim, celebrei os mais incríveis e aguardados momentos de uma maneira tão intensa que até hoje sofro com as consequências.
Nem sei dizer como os meus planos se concretizaram esse ano.Todos os itens da minha listinha foram riscados.Incrível!


P.S: Conferi uma parte da listinha logo aí abaixo.
Lista de Planos para 2010.
-Dizer sim à vida;
-Descobrir o que é o Amor;
-Pensar em revelar o segredo "Intímo e Oculto";
-Deixar a timidez de lado;
-Aproveitar os pequenos momentos qua a vida oferece.
-Conseguir um emprego,porque ficar ligando pra tia pra pedir dinheiro já tá mais do que chato;